DEGEO

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2 de ago de 2011

O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO DE UM PAÍS: DISCUSSÕES E REFLEXÕES NO BRASIL

O ENVELHECIMENTO DA POPULAÇÃO DE UM PAÍS: DISCUSSÕES E REFLEXÕES NO BRASIL

Roberto Cruz Abreu*
Bruno Lopes Soares*


INTRODUÇÃO


No Brasil está ocorrendo um processo de envelhecimento da população muito rápido de acordo com as projeções das Nações Unidas (United Nations,1999). Isso esta acontecendo em vários países do mundo, principalmente na Europa. Segundo French retrata que através de seus estudos irá faltar mão-de-obra na China.
Com o avanço da ciência, principalmente no campo da medicina e da informação, é possível notar que a qualidade de vida vem melhorando em termos mundiais. Hoje podemos observar que o povo vive melhor do que a cinqüenta anos atrás onde poucos tinham acesso a hospitais de qualidade, alimentos , roupas, lazer, etc. o Brasil é considerado um pais jovem, no que diz respeito a população, mas isso tende a mudar com o passar das décadas.
Outro aspecto estudado e detectado para um envelhecimento da população é antes de tudo que envolve o capitalismo, onde a mulher foi ingressada no mercado de trabalho, deixando de ser dona de casa, preocupada em suma com a beleza e estética, seguindo sua vida pela cultura midiática. Costuma se ouvir conversas entre mulher o tal discurso de dizer que só quer casar quando estiver formada, empregada, para começar a pesar em ter filhos e constituir uma família.
Hoje os jovens já tem uma maior perspectiva de freqüentar uma faculdade, sendo ela pública ou particular, e se compararmos a alguns anos atrás o numero de jovens dentro das universidades era bem menor do que hoje.
Devido os projetos oferecidos pelo o governo que favorecem as camadas desfavorecidas de uma boa estrutura financeira. Estes projetos têm como objetivo ingressar o jovem em uma profissão, antes que eles façam outra escolha não conveniente a eles. Então as iniciativas do governo têm facilitado e muito no incentivo aos jovens a procurar uma profissão. A taxa de mortalidade também acompanha a tendência de queda dos índices de fertilidade, o que intensifica ainda mais o envelhecimento global da população.
Analisando esse processo o Brasil futuramente terá graves problemas relacionados ao crescimento vegetativo, no entanto Silva nos diz que:

O aumento do índice da população idosa está também relacionado à queda da taxa de fecundidade. No Brasil, conforme dados do IBGE, 44% das mulheres em idade reprodutiva têm menos de dois filhos. Só existe uma fecundidade maior (mais de 4 filhos por mulher) nos "bolsões de miséria“, mas isso corresponde somente a 6,2% do total. Entre 1990 e 2000 a queda da fecundidade foi de 12%, tendo em vista a continuidade da queda dessa taxa, o país terá que estimular a reprodução, como tem sido feito em muitos países desenvolvidos, seja incentivando as mulheres em idade fértil a ter mais filhos, seja ajudando aquelas com problemas de infertilidade (Silva, 2005).

DISCUSSÕES SOBRE A PIRÂMIDE ETÁRIA

Para tanto a pirâmide etária de 1970 se configura de modo em que a maioria da população brasileira é considerada jovem, a vista que nesta época não haveria uma cultura de informação para uso de determinadas maneiras para a mulher não engravidar, no mesmo raciocínio vê-se que a mulher era considerada a dona de casa, “mulher do lar”, onde não trabalhava fora, não era tão preocupada com a beleza, nem de brigar, ou se igualar com o marido, e sim cuidar de casa. Relacionada a essa questão do consumo, da produção do capitalismo, onde quebra totalmente o papel da mulher de antigamente, não que sejamos contra a mulher ter direito a voto, a mulher não ser submissa ao homem, mas que não seja também tão globalizada pela mídia, e pelo consumo, para isso Magalhães nos diz que:

 A sociedade contemporânea oferece pouca oportunidade ao idoso para exercitar e ativar a lembrança, instrumento e conteúdo fundamental de seu diálogo com as demais gerações. Indispensável também à formulação de seu pensamento. O que foi produzido no passado não tem interesse hoje e possivelmente será destruído amanhã. O ciclo permanente de produção e de consumo exige incessantemente a destruição e o desaparecimento do que foi produzido no passado e a criação permanente de novas formas de produção e consumo (Magalhães, 1989, p. 18).



Já nos dias atuais, precisamente ano de 2010, as estatísticas mostram em que o Brasil não se classifica ainda em um país velho, mas que esta se encaixando num país de terceira idade, onde a taxa de mortalidade diminuiu e a taxa de natalidade também. Sendo a tendência dos brasileiros seguirem o modelo europeu de vida, isolados, sem filhos, família, individualista, a forma de vida do sistema capitalista.



Percebe-se que em 2050 o país se tornará velho, onde grande parte da população estará enquadrada na terceira idade devido a fatores relacionados acima. Estudos recentes mostram que até o ano 2050 30% da população deverá ter mais de 60 anos. O número de idosos na população brasileira chegou a 21 milhões em 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 1999 a 2009, a representatividade das pessoas com mais de 60 anos no país passou de 9,1% para 11,3%.


A TRANSFORMAÇÃO DO PAPEL DA MULHER NA SOCIEDADE

         Percebe-se que hoje a mulher ganhou um novo papel na sociedade, a respeito disto teremos mudanças radicais na vida cotidiana dos brasileiros. Analisando este processo em que vivenciamos atualmente, Zigmunt Bauman fala da modernidade líquida, ou seja, ninguém tem mais uma vida linear, sólida, e sim líquida que se desmancha no ar, que muda a todo momento. Dentro dessa perspectiva a mulher através da cultura da mídia, das novelas, do forro, onde ridicularizam a mulher, entrou neste meio da beleza, da estética esquecendo-se da vida numa visão geral, aquela mulher frágil, que seria mãe, dona do lar, cuidadosa com seus filhos, para isto a Mary em seu blog retrata que:
O envelhecimento da população é hoje um fenômeno universal, característica tanto dos países centrais como, de modo crescente, dos países do Terceiro Mundo. Os fatores responsáveis pelo envelhecimento são discutidos, e o processo conhecido por "transição demográfica" abordado. As repercussões para a sociedade do progressivo envelhecimento da população são consideradas, particularmente no que diz respeito à saúde. A mudança do papel da mulher no mundo contemporâneo, o período de vida mais longo e suas conseqüências, entre outros tópicos, fazem parte de uma discussão específica relativa à mulher idosa. (Mary)

UMA NOVA PROBLEMÁTICA SURGE: A ECONOMIA

O IBGE explica o novo perfil etário da população do país com uma fórmula simples: queda da taxa de natalidade desde a década de 60 aliada à redução dos índices de mortalidade. Com o aumento da população de idosos a economia entrará em crise, caso não haja uma solução cabível para essa questão. O governo terá de desenvolver soluções para suprir os gastos com aposentadorias. Mas o aumento do número de idosos tem se refletido diretamente no incremento do déficit entre arrecadação e despesas da Previdência Social. Até agosto de 2010, o rombo era de R$ 30,7 bilhões.
No entanto, em 2050 é previsto que o Brasil terá um grande problema em relação à economia como retrata o IBGE. Visto que a população economicamente ativa diminuirá e ao mesmo tempo os gastos com os idosos, (aposentadorias) aumentará. Muitos países da Europa estão passando por essa problemática, onde as pessoas não querem mais nem ter filhos, muito menos 1 ou 2. Para isso tais governos europeus resolveram tomar medidas, em que é promovida uma bolsa para quem tem filho. No entanto a China é um desses países, segundo French:
O país mais populoso do mundo, que construiu sua força econômica sobre mão-de-obra barata, poderá em breve enfrentar falta de trabalhadores. O envelhecimento também representa difíceis questões políticas para o governo comunista, que incentivou a explosão populacional nos anos 50 e mudou de orientação ao introduzir a chamada política do filho único alguns anos após a morte do líder Mao Tse-tung, em 1976. Essa medida evitou estimados 391 milhões de nascimentos. Com a surpreendente ascensão da China à riqueza, a maioria das pessoas vive mais tempo e tem menos filhos, espelhando tendências encontradas em todo o mundo. Essas tendências e um índice extraordinariamente baixo de nascimentos se combinaram para criar um forte desequilíbrio entre jovens e velhos (French, 2010).

Cerca de 70% dos municípios brasileiros não têm asilos, aponta estudo do Ipea. Com base na PNAD 2009, a Secretaria de Políticas de Previdência Social aponta que 81,73% das pessoas com mais de 60 anos estão assistidas pela Previdência Social, implicando que no ano de 2050 este índice aumentará significativamente, entretanto mais jovens terão que trabalhar e pagar mais impostos para suprir esta demanda da previdência social.
O fato é que o brasileiro começa a envelhecer e, como conseqüência disso, desenvolve-se novos exames para diagnósticos de problemas de saúde. A indústria farmacêutica está a mil, formulando novos remédios para doenças características da terceira idade. Dessa forma enricando cada vez mais as multinacionais que produzem este tipo de remédio, sendo que medidas necessárias relacionadas a qualidade de vida do ser humano, sem esta busca incessante pelo capital seria umas das formas de os idosos viverem mais, além de adoecerem bem menos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As estatísticas aqui apresentadas são de anos à frente, por enquanto isso o Brasil continua sendo jovem, e, no entanto sem o grande problema ainda da economia relacionada à grande parte da população estar na terceira idade, enfocando uma diminuição da mão-de-obra e uma grande parte da renda do país se direcionar a previdência.
A sociedade deverá se organizar em termos de equipamento social adequado como lazer, saúde, urbanização, educação, alimentação e transporte, para uma melhoria na qualidade de vida dos idosos e ate mesmo dos jovens. Para tanto fazer uma outra política de empregos e de previdência, para solucionar o problema da economia, direcionando a sociedade para outro cominho, principalmente as mulheres onde são peças chaves neste paradigma do envelhecimento da população, pois são elas que reproduzem.Na verdade, de agora em diante o grande desafio também será da humanidade proporcionar aos idosos a integração social indispensável.
Portanto, o governo teria que incentivar novamente a mulher a ter filhos, ser uma dona de casa, para haver a reprodução da espécie, se não entraremos num grande problema estrutural de população e de economia também.

REFERÊNCIAS

BAUMAN, Zigmunt. Modernidade líquida. 1ª Ed, Editora Jorge Zahar, 2001.
Blog da Mary. Disponível em: http://maryvillano.blogspot.com/2008/10/um-jovem-pas-que-envelhece.html Acesso em: 27/07/2011.
FRENCH, W. Howard.  Fonte: folha online (www.folha.com.br).
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
MAGALHÃES, Dirceu Nogueira. A invenção social da velhice. Rio de Janeiro: Papagaio, 1989.
SILVA, Marina da Cruz. O processo de envelhecimento no Brasil: desafios e perspectivas. Textos Envelhecimento v.8 n.1 Rio de Janeiro, 2005

Graduandos do Curso de Geografia do IV – Semestre
Disciplina – Geografia da População
Professor – João Ludgero Sobreira Neto

Um comentário:

  1. Ana Cláudia
    Karla Gilmara



    o artigo ficou ótimo, embora não falaram da região do cariri, mas ele em sí está ótimo.

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