DEGEO

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8 de ago de 2011

A EXCLUSÃO EDUCACIONAL NO ENSINO FUNDAMENTAL II: O CASO DA CIDADE DE JARDIM - CE


MERIANE COÊLHO DE FREITAS*
THAIS COELHO LOPES*


         A questão da exclusão educacional no Brasil é antiga existindo desde a implantação das primeiras escolas, onde durante um sibilitado pelo sistema. A partir dos medos do século XX é que se tornou possível uma democratização escolar.
         No entanto mesmo com o direito á educação muitos permanecem fora da escola por diversos fatores sócias e pessoais que influência diretamente na evasão escolar dos pais é excluída da própria realidade social, imposta pelo sistema capitalista hegemônico.
         Quando se fala na cidade de jardim - CE a situação não é diferente num espaço em que se perpetuam problemas sociais. As preocupações com a parcela de adolescentes que freqüentam ou deveriam freqüentar o ensino fundamental II, tem decorrido do reconhecimento da significativa vulnerabilidade destes que se tornem cada vez mais excluídos socialmente.
         Constata-se um alto índice de abandono escolar dos adolescentes do ensino fundamenta lI no ensino regular. Isso decorrente de muitos fatores como a gravidez, as drogas e a migração temporária, fatores estes, que causaram a exclusão não só no momento nos principalmente no futuro, quando esses adolescentes tornarem-se adultos e lhes faltarem qualificação profissional tão requisitada no mercado de trabalho.

A GRAVIDEZ NA ADOLENCÊNCIA COMO FATOR DE ABANDONO ESCOLAR

         Com a mudança das relações sócias e a liberação dos costumes influenciada pela mídia a gravidez na adolescência torna-se cada vez mais freqüente atingindo diferentes camadas da sociedade ocasionando diversas perdas sociais, pessoais, educacionais e familiares.
         A gravidez na adolescência é um problema muito evidente no município de jardim – CE, suas principais causas, vão desde a estrutura familiar e a falta de dialogo de pais e filhos ate a banalização do sexo pela sociedade. Nas escolas não há abertura para programas relacionados a sexualidade na adolescência que abordem conseqüências e riscos de relações sexuais precoce sem proteção, como as DST e a gravidez.De acordo com o conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente do município no ano de 2010 foram registrados 81 adolescentes grávidos,fato este preocupa te pois no geral a primeira mudança na vida das futuras mães é o abandono escolares na maioria das vezes por vergonha dos amigos e professores a situação agrava-se ainda mais após o nascimento da criança quando as adolescentes se deparam com a responsabilidade da condição de mãe dificultando o retorno a escola. Identificamos no ensino fundamental II a fase onde é necessário maior a orientação sexual, apoio emocional e afetivo por parte da família e da escola por que esses jovens estão despertando a curiosidade de descobrir o sexo precocemente.
         Constatamos que a gravidez na adolescência leva a exclusão educacional e profissional que acarreta problemas psicossociais pela falta de maturidade em encarar a realidade conflituosa, pois há uma interrupção das relações vivenciadas anteriormente a gestação.

DROGAS NA ESCOLA: Um problema da sociedade contemporânea

         A escola como formadora da identidade dos jovens tem um importante papel na contribuição da não marginalização do usuário de drogas, pois a discriminação destes pela sociedade que muitas vezes os identificam como delinqüentes, ou ainda como um problema. É nesse momento que o ambiente escolar deve procurar as causas que levaram o jovem a se envolver com as drogas, para assim procurar uma forma de ajudá-lo. Porem, quando a escola rejeita esse adolescente por não o entendes, ou por não realidade em que vivemos, isso pode trazer graves conseqüências para essa parcela da juventude incompreendida e muitas vezes ignorada. Nesse caso a escola perde o controle e isso gera sérios problemas no âmbito escolar que é sentido pela sociedade, pois principalmente nas escolas publicas percebemos as freqüentes queixas, da falta de respeito, do desinteresse, da rebeldia e da indisciplina por parte dos alunos. Na cidade de Jardim – CE referente ao ensino fundamental II as drogas são um dos principais fatores que levam os jovens a perder o interesse de estudar e abandonar a escola, por não acharem o que muitas vezes procuravam em casa, em alguns casos a escola poderia ser a saída para esses adolescentes saírem do mundo das drogas, mas muitas vezes a indiferença e o autoritarismo dos professores afastam esses jovens que já estavam passando por um momento de conflitos pessoais e psicológicos.
         A escola está se transformando em uma produtora de jovens infelizes, insatisfeitos e frustrados é nesse momento que a droga se apresenta aos adolescentes no ambiente escolar como um amigo que vai levar-lo a capacidade de satisfazer todos os seus desejos.

A EXCLUSÃO PELA MIGRAÇÃO

         Na historia humana o homem sempre migrou para outros espaços e territórios na luta pela sobrevivência. De acordo com CARLEIAL (2002, P. 05) “pode – se definir migração como sendo deslocamento de um conjunto de indivíduos, ou fluxos de pessoas, ou ainda, circulação de pessoas, como também, redistribuição de população, no tempo e no espaço sendo está voluntária ou forçada.”
         No caso da cidade de Jardim – CE há um intenso fluxo migratório que interfere diretamente na escolarização de jovens que deslocam – se para servir de mão de obra em grandes empresas agrícolas no estado de Goiás, Minas Gerais e São Paulo, não chegando a concluir o ensino fundamental com o objetivo de amenizar problemas econômicos. A migração que ocorre no município é de caráter temporário em que os indivíduos viajam passando um período em média de 12 meses no retorno os excluídos da escola não retornam seus estudos.
         Esse processo migratório acarreta sérios danos ao futuro desses adolescentes que não terão qualificação profissional onde serão excluídos do mercado de trabalho, muitos se prendem a ideologias ilusórias as de que não existem outras possibilidades de escola, observamos o que afirma CARLEIAL ) (2001, P.19) (org.) sobre essa temática.
Em conseqüência dos grandes desequilíbrios regionais e sociais marcantes na economia e a sociedade brasileira, deve ser enfatizado que o espaço em que se organizam as trajetórias migratórias não é economicamente, nem socialmente, homogêneo, portanto o mercado de trabalho não se constitui, o espaço territorial que se integra e a nação que se constrói trazem as desigualdades. Nessa perspectiva, as migrações podem contribuir para a reprodução dos desequilíbrios regionais e das desigualdades sociais.
         A cidade não dispõe de uma economia estabilizada com alto índice de desemprego, mas é necessário refletir sobre os propósitos desses adolescentes que buscam uma imediata independência sendo que deveriam prosseguir os estudos para ter uma profissão, pois quando passarem-se alguns anos quando se tornarem adultos estarão debilitados fisicamente e psicologicamente fruto do trabalho árduo exercido, assim não poderão retomar a esse tipo de atividade ficando a mercê da desvalorização social. Além disso, esses jovens perdem a oportunidade de construir conhecimentos educacionais, profissionais e relações sociais e afetivas no seu lugar de origem, condições estas necessárias a formação do individuo, muitos migram e se fixam levando a família, não se preocupando com a educação dos filhos adolescentes que na maioria das vezes não freqüentam a escola no novo local, por outro lado a escola “fecha os olhos” a essa problemática não reconhecendo que esse fato é causador de desinteresse de uma parcela de adolescentes do ensino fundamental II que pensam em completar 18 anos para se deslocarem do município.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

         Exclusão social é a marginalização ou rejeição de indivíduos que não correspondem aos valores dominantes que prevalecem em toda a sociedade, então aqueles que são excluídos têm o papel social desvalorizados.
         Como citamos os casos de jovens excluídos do ensino regular, além de evadirem da escola passaram pelo processo de exclusão na própria sociedade, como adolescentes grávidas, usuários de drogas aqueles que deixam a escola para viajarem em busca de trabalho ou como os pais que migram para outros estados com toda a família visando melhores condições de vida e não regularizam a situação escolar dos filhos para que os mesmos possam continuar os estudos para poder ter um futuro diferente dos pais.
         A exclusão educacional tende a ter sérias conseqüências, não só para os excluídos, mas também para os demais indivíduos do meio social. Neste sentido o papel social da escola torna-se fundamental para a formação psicossocial auxiliando na construção da cidadania dos adolescentes que necessitam do apoio familiar e escolar para tornarem-se menos influenciáveis aos fatores de risco presentes na sociedade.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AQUNO, Júlio Groppa (org). Drogas na escola: Alternativas teóricas e praticas. São Paulo: Summus, 1998.
BOCARDI, Maria Inês Brandão. Gravidez na adolescência: o parto enquanto espaço de medo. São Paulo: Editora UNIMAR, 2003.
CARLEIAL, Adelita Neto (org.) Transições migratórias. Fortaleza: Edições IPLANCE, 2002.
HOLANDA, Francisco Arioto. Educação para o trabalho. Fortaleza: Editora LTDA (edições UVA).
Ministério da Educação. Secretaria de educação fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais Ed. Brasília: A secretaria, 2001. 
Revista Quadrimestral de ciências da educação: Educação e sociedade­_ A luta pela autonomia e contra a exclusão. São Paulo: Cortez editora, 1982.

Graduandos do Curso de Geografia do IV – Semestre
Disciplina – Geografia da População
Professor – João Ludgero Sobreira Neto

Um comentário:

  1. Bem escrito,com uma linguagem simples e de fácil compreensão.

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