DEGEO

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8 de ago de 2011

DIFICULDADES EM MANTER A QUALIDADE DE VIDA COM A APOSENTADORIA.


Janaina Rodrigues Silva Lima*
Teresa Cristina de Souza*


Introdução


A esperança média de vida aumentou e em consequente o número de idosos, que repercutiu e continua repercutindo no processo de envelhecimento demográfico, nas diferentes esferas da estrutura social, econômica, política e cultural da sociedade, uma vez que os idosos, da mesma forma que os demais segmentos etários (crianças, jovens e adultos), possuem demandas específicas para obtenção de boas condições de vida. Apesar de ser um processo natural, o envelhecimento submete o organismo a alterações físicas e biológicas, além de mudanças sociais e comportamentais, com repercussões nas condições de saúde do idoso e, consequentemente, na sua qualidade de vida.
A aposentadoria sob qualquer aspecto jurídico é uma instituição social que proporciona não só um benefício, mas também um direito conquistado ao longo de uma vida de trabalho ativa. O sentido real da palavra aposentadoria seria “recolhimento aos aposentos”, significando vencer seu tempo de contribuição ao sistema previdenciário, o trabalhador deixaria de trabalhar para o seu sustento e isso lhe permitiria o exercício do lazer e de atividades voluntárias em benefício da comunidade, sem prejuízo à sua qualidade de vida.
O ato de aposentar-se constitui como um dos principais desencadeadores de tais alterações, uma vez que traz consigo a desvalorização social e pode representar, do ponto de vista emocional a perda da identidade profissional, os valores atribuídos pelo meio social têm acentuada influência, na medida em que levam a pessoa a lembrar-se da eminente chegada da velhice e, como conseqüência, ser considerado economicamente improdutível.
“A aposentadoria é uma das formas regulares da economia capitalista, produzida pela rotatividade no trabalho, pela substituição de gerações, acabando por criar um novo valor social, expulsando os trabalhadores, após determinada idade, das atividades produtivas, assegurando-lhe o direito de serem sustentados financeiramente pelo sistema.”
Partimos da premissa de que a aposentadoria é um momento gerador de um estado de ambivalência. Ao mesmo tempo em que é almejado, é também temido. Embora seja um descanso merecido, é próprio do ser humano recear o desconhecido, gerando uma situação de ansiedade. A pessoa ao longo de sua vida deve construir outras fontes de satisfação além do trabalho, tornando mais fácil o enfrentamento desta fase, possibilitando uma reestruturação de sua identidade enquanto aposentado.
Notamos que a aposentadoria é envolto por uma série de situações críticas, interligadas entre si e que interferem na qualidade de vida do idoso. Tendo em vista estes aspectos, a compreensão de como o idoso vivencia o seu processo de aposentadoria, pode contribuir para amenizar e melhorar sua realidade.
A redução do poder aquisitivo interfere em inúmeros fatores, mas em especial nos padrões alimentares, que favorece o consumo de alimentos de menor custo e de produtos industrializados, colocando o organismo sob os riscos de uma alimentação inadequada, haja vista que o idoso necessita de nutrientes, e ingestão de alimentos saudáveis. 
        
        
Desenvolvimento


A situação dos aposentados não é nada boa no Brasil. A renda dos benefícios pagos pela Previdência Social se aproxima do mínimo e, além disso, o grau de endividamento dos aposentados é muito grande. Com o incentivo oferecido pelo governo, cresce a cada dia o número de aposentados que realizam empréstimos consignados nas financeiras, instituições essas que aceitam até quem está negativado, diante desse processo, a renda do aposentado torna-se insuficiente, e com isso o expõe a situações complexas.  
Assim, deve-se ressaltar que, quando a aposentadoria é assimilada de forma negativa, pode ocasionar comprometimentos na estrutura psíquica do sujeito. A aposentadoria também pode se transformar em grande fonte de tensão quando associada à diminuição do poder aquisitivo, de forma que o empobrecimento é agravado, dificultando até mesmo o suprimento de necessidades básicas do cotidiano. Para a grande maioria dos idosos brasileiros a aposentadoria significa uma condição socioeconômica inadequada, ocasionando o rebaixamento de sua qualidade de vida.
Em decorrência da diminuição da renda, o poder aquisitivo é prejudicado, podendo ocasionar mudanças e deficiências no esquema alimentar. O afastamento do trabalho pode levar a solidão familiar e social que predispõe o idoso à falta de preocupação consigo. Analisando esses empecilhos notamos que a adoção de hábitos alimentares saudáveis é um processo complicado e lento, pelo fato da alimentação estar atrelada a fatores culturais, econômicos e sociais, presentes na história individual de cada sujeito, o que também constitui um fator negativo na vivência do período pós-aposentadoria. Dessa forma, muitas vezes, come-se simbolicamente o nervosismo, a ansiedade e o desemprego.   
“Embora a remuneração do aposentado possa satisfazer as suas necessidades materiais, resta o vazio social e psicológico a preencher. A realidade é o “status” vago de desempregado.” A velhice passa a ser delimitada não mais pelas transformações fisiológicas, mas por um advento social, a aposentadoria, na qual o indivíduo passa pela transposição da categoria de trabalhador para ex-trabalhador; de produtivo para improdutivo; de cidadão ativo para inativo.
Diante desses aspectos surgem as diferentes opiniões nas quais explicitamos, que ao se aposentar o idoso passa a conviver, buscando se adaptar a essa nova realidade, ou diríamos a essa nova fase da vida em que deixa de produzir, e passa a usufruir desse direito que lhe é concebido, mas que contraditoriamente é entendido como uma forma de exclusão social, observando essa situação de não mais trabalhar podemos dizer que profissionalmente já não mais produz, mas que da essência e contribuição como trabalhador, seu histórico profissional e experiência de vida, ele sente-se excluído da sociedade apesar de ter deixado marcado sua trajetória no mercado de trabalho.
O tempo ocioso que agora vivencia leva a considerá-lo um inútil. Será que só o seu trabalho que desgastou o físico lhe deixaria um indivíduo totalmente inserido na sociedade? A correria de uma jornada de trabalho diária, que não lhe sobrou tempo para outras atividades é o bastante para sentir-se útil? Resumindo, sua vida seria somente trabalho? ”Essa depreciação social atinge até os indivíduos que se aposentam com capacidade física e intelectual para recomeçarem uma nova atividade, no caso os que se aposentam por tem pode serviço.”             
        

Conclusão 


O presente trabalho mostrou o quanto o advento da aposentadoria pode trazer benefícios ou malefícios, e diante de todo o processo percebemos as dificuldades encontradas pelos idosos, constituindo uma esfera de complexas transformações, que estão ligadas aos significados que cada pessoa atribui à aposentadoria.
Notamos que fatores sociais, culturais e econômicos interferem na vida dos idosos gerando novas perspectivas ou insatisfações, dependendo das relações as quais se tenha convivência, é comum a presença de sentimentos como baixa auto-estima e inutilidade frente à aposentadoria.
Diante da realização do trabalho percebemos que é de suma importância o aumento dos recursos em todas as instâncias para ampliar as políticas públicas desse segmento social, fortalecendo as iniciativas populares, em especial nas comunidades de risco. É importante salientar que os idosos participem das elaborações e coordenações dessas políticas, já que eles não são apenas receptores passivos e sim sujeitos ativos.  
Dessa forma sugerimos que continuem sendo realizadas pesquisas e práticas de extensão com este tipo de população, de modo a conhecer os sentimentos e percepções de idosos aposentados, compreendendo o processo de adaptação e de mudanças em seus estilos de vida a partir desta nova experiência, proporcionando-lhes melhorias na qualidade de vida. No entanto é preciso que o idoso tenha consciência para adequar-se a essas mudanças na vida social, e aprender a compreender o mundo de uma ótica diferente, aproveitando as oportunidades que lhe são oferecidas.


Referências


A TERCEIRA IDADE. São Paulo: SESC. Ano X – nº 15 - Dezembro de 1998.
GONÇALVES, Carlos Walter Porto. A globalização da natureza e natureza da globalização. Rio de Janeiro, 2006, p. 159-177.
MARQUES, Maria do Socorro Macambira. Aposentadoria e a busca de reintegração social. Fortaleza, 1995. 118 p.
MORAES, Myriam Barros Lins de (Org.). Velhice ou Terceira Idade. 4. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2007. p. 13-15, 49-55, 62-66, 79-81, 223-234.
ZIMERMAN, Guite I. Velhice: Aspectos Biopsicossociais. Porto Alegre: Artmed. 2000. p. 13-15, 19-29, 32-35, 44-46, 59-61, 74-77, 91-92, 108-110.

Graduandos do Curso de Geografia do IV – Semestre
Disciplina – Geografia da População
Professor – João Ludgero Sobreira Neto

Um comentário:

  1. O referido trabalho demonstra uma contextualização bem elaborada, onde as graduandas buscaram se cercar de muitas informações e dados significativos elaborando um belíssimo trabalho sobre a aposentadoria e suas dificuldades. Apenas notei a ausência de alguns elementos básicos que compõem um artigo, como o resumo e palavras chaves.

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